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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

Querida, não vais mudar de casa.

 

 

  Uma das coisas que ninguém me avisou foi que eu tinha de começar a poupar dinheiro em 2009 para conseguir viver sozinha em 2019. Um conselho maternal, transmitido com ternura e preocupação, que me dissesse que o meu primeiro ordenado não ia chegar para tudo e que as rendas iam ser absurdas nos meus vintes. Dizem que as mães sabem sempre tudo, têm sempre razão. Tinha-me dado imenso jeito a minha mãe ter previsto o rídiculo do mercado imobiliário antecipadamente. Se ela soubesse as dores que me tinha poupado... 

 

  Horas passadas no Pinterest a aperfeiçoar o meu quadro dedicado ao imobiliário para que tudo tivesse pronto a tempo. Já estava decidida a cor das paredes da sala, os azulejos da casa de banho e a disposição das molduras no corredor. Um esforço imenso brutalmente abalroado com uma breve pesquisa no Imovirtual ou qualquer outro do género. 

 

  Isto é aquela parte em que entram as mentes positivas e dizem "Jules, ainda vais a tempo. És nova, estás no teu primeiro emprego, a vida dá muitas voltas!". Eu percebo isso tudo e tenho plena noção. Mas, caramba, que desilusão. Como é que é suposto uma pessoa conseguir sentir-se adulta se nem sequer consegue viver sozinha? 

 

  Se algum vendedor imobiliário ler este post, deixo-lhe aqui uma mensagem: eu não peço muito, um T1 ou T0 (desde que a cama não seja a 20 centímetros do fogão, como já vi) perto do escritório a um preço, jeitoso que só ele, é suficiente

 

Há 7 anos estabeleci metas extraordinárias.

 

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  Estão a ver aquelas pessoas terríveis na internet denominadas de 'stalkers'? Bem, eu sou a minha própria stalker. Escusam de perder tempo a vasculhar os arquivos da minha presença online que eu faço-o muito bem sozinha! Há uns dias encontrei este post com 7 anos e uma previsão que, hoje em dia, me provoca um riso nervoso

 

  Ora bem, em 2012, eu concebi que, num espaço de 10 anos (diga-se 2022), eu teria uma livraria, um marido e previsões para me estrear no papel de mãe. Eu tinha 16 anos em 2012. Não sabia o que era trabalhar a tempo inteiro, desconhecia por completo o preço de um pacote de arroz e nem concebia pagar alarvidades para ter luz, água, gás, etc. Em 2012, a minha maior dificuldade era chegar a casa antes de anoitecer e estudar para o teste de Português. 

 

  Posto isto, em 2019, eu conheço outra realidade. Sou oficialmente adulta e, let's face it, sou uma merda nesta ocupação. Mas uma pessoa desenrrasca-se! Se acho que até 2022 vou conseguir abrir uma livraria, casar e ser mãe? Epa... Não. No máximo, safo o marido. Isto hoje em dia é fácil, basta convencer o meu namorado ou inscrever-me na 2ª temporada do "Casados à Primeira Vista"

 

  No entanto, esta é uma das razões pelas quais continuo a escrever neste blog, para poder-me encontrar com estas metas nas minhas rotinas diárias de 'stalking' pessoal. Quem sabe leio este post em 2022, sentada no meu jacto privado a caminho das Maldivas, porque entretanto me saiu o Euromilhões? É esperar para ver. Será que ainda dá para jogar no sorteio de hoje? 

 

Hoje foi dia de falar sobre livros

 

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(foto retirada do instagram d'A Sala, o sítio que nos acolheu, e captada no momento em que eu revelei ao grupo a minha insatisfação com o livro que tinha lido) 

 

 

  Já tinha falado do "Uma Dúzia de Livros" e como ele me ia ajudar a ler mais livros em 2019. Hoje foi a primeira reunião do grupo e digamos que estou capaz de devorar todos os livros apresentados pelas companheiras nesta aventura. Se há coisa que me encanta é conversar com pessoas que partilham este amor pelos livros que eu tenho. 

 

  O tema de fevereiro é "Um livro sobre famílias" e o escolhido por estes lados foi o "To the Lighthouse" da Virginia Woolf. Se em janeiro me fiquei pela literatura young-adult da Angie Thomas, em fevereiro vou puxar os galões todos nesta estreia com a grande senhora que foi a Viriginia Woolf.

 

  Se sentem que não estão a conseguir ler tanto como queriam, aconselho-vos vivamente a juntarem-se a este desafio. A participação presencial nas reuniões não é obrigatória, basta partilharem nos vossos lares virtuais o que decidiram ler e o que acharam desse livro. Posto isto, o que se lê por esses lados? Bora ressuscitar o lado literário do Valentine

"Há gente que é pessoa"

 

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  Roubei este título a uma das crónicas do Ricardo Araújo Pereira, presentes no livro "Estar Vivo Aleija". Curiosamente, li-a hoje, depois de ter lido este post da Carolina que surge inspirado na minha participação na rubrica "Como Eu Blogo" do Blogs Sapo, e fez todo o sentido. Na verdade, arrisco-me a afirmar que não faria tanto sentido para mim se não a tivesse lido hoje. A crónica é fantástica no seu todo, mas só o título soou-me de uma maneira formidável cá dentro. 

 

  Tal como a Carolina, sou de uma era antiga aqui nos blogs. Muito antes de blogger ser considerado uma profissão, algo que só me apercebi que podia acontecer quando a Pipoca o fez. Mais uma ironia do destino cruza este post quando abro o blog da Pipoca, para conseguir detalhar o ano em que tive noção disso, e sou esbofeteada com um pop up da MultiOpticas...

 

  Como é possível detalhar pelo arquivo ali de lado, este blog começou em 2011, mas antes disso, já tinha tido outros que, das duas uma, ou 1) foram apagados após descoberta alheia ou 2) foram abandonados e ficaram no seu cantinho para a posteridade. Nessa altura, o mundo dos blogs era diferente, eu expunha a minha vida nua e crua com direito a detalhes sórdidos, e não havia mal nenhum nisso. Os nossos subscritores eram nossos amigos e nós sentiamos o mesmo para com os blogs que subscrevíamos. Eram bons tempos em que a genuídade reinava e ninguém pensava em escrever a troco de dinheiro ou produtos grátis, ou simplesmente escrever por outro propósito que não o de partilhar um pouco de nós com o mundo. 

 

  Tal como disse na entrevista, escrevo neste blog tarde e a más horas. Hoje não poderia ser excepção. Mas hoje senti um pouco daquilo que sentia como blogger em 2011 e quis deixá-lo aqui recordado.

Obrigada a quem se juntou ao Valentine hoje. Hoje foi um dia bom.  

19 para 2019

Sem grandes rodeios, a culpa disto é da Beatriz e esta é a minha lista, mesclada e confusa à semelhança da pessoa que a escreve. Porquê 19 e não 12 como os comuns mortais? Because why not, that's why. 

 

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  1. Escrever, pelo menos, 1 post semanal; (Irónico começar a lista com uma daquelas resoluções que dificilmente irá acontecer!)
  2. Ler, no mínimo, 12 livros;
  3. Comprar roupa de forma consciente e somente mediante necessidade extrema;
  4. Comprar mais maquilhagem SÓ EM CASO DE NECESSIDADE EXTREMA. Não há bolsa que aguente o peso deste meu amor;
  5. Conseguir desligar totalmente, pelo menos, 1 hora por dia;
  6. Não largar a agenda (que tanto se tem provado minha amiga) após os 3 primeiros meses do ano (como é costume acontecer);
  7. Ir ver uma peça de teatro;
  8. Dedicar tempo a mais cinema de qualidade e menos aos originais mais cheesy da Netflix;
  9. Cultivar-me mais, ou seja, ler todos os artigos que tenho guardados naquela pastinha ali em cima;
  10. Fazer mais planos com os meus pais e a minha irmã; 
  11. Conhecer São Miguel;
  12. Viajar para uma capital europeia;
  13. Escrever mais (e melhor); 
  14. Fazer um esforço para perder os quilos ganhos no escritório;
  15. Explorar o mundo Spotify e conhecer bandas novas;
  16. (Man)ter uma casa
  17. Aprender a gerir o meu tempo de forma produtiva; 
  18. Dominar 5 receitas daquelas mesmo boas para impressionar amigos em jantares;
  19. Desafiar-me. 

Como ler mais em 2019

 

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Longe vão os dias em que eu passava horas a ler, que me dava ao luxo de me perder em mundos imaginários, somente para retornar com um sentimento de vazio por ter terminado de explorar aquele cenário. Os meus hábitos de leitura aos 22 anos não são os que eu mais desejava, confesso. Ainda assim, em 2018, consegui ler 16 livros. Número semelhante não acontecia desde 2015, o ano dos autocarros bidiários. 

 

Consegui alcançar este número porque levantei a barreira de julgamento que tinha imposto a certos livros. Dei a mim mesma a oportunidade de ler quantos livros de romances juvenis me apetecesse, sem depois me sentir mal por ter passado 2 dias a ler o "To All the Boys I've Loved Before" do que ter optado por um "For Whom the Bell Tolls". 

 

Em 2019, desafiei-me, no Goodreads, a ler 12 livros. Já antes falei de metas utópicas e do mal que elas faziam ao ego, por isso, mantive-me pelos 12 com a esperança depositada numa maravilhosa coisa chamada Uma Dúzia de Livros

 

Juntei-me à Rita, e a outros parceiros de leitura, para uma aventura de 12 meses, 12 temas, 12 livros e 12 conversas sobre livros. Há algum tempo que me queria juntar a um clube de leitura, porém, o facto de viver no Algarve e isso me impossibilitar de comparecer às reuniões físicas daqueles que conhecia sempre me demoveu da ideia. O início de 2019 pareceu-me o tempo certo para o fazer! É certo que somente li 16 livros em 2018, no entanto, comprei imensos. Já consegui encaixar muitos deles nos temas mensais deste desafio e estou convencida que uma visita à biblioteca do meu antigo quarto me trará todos os livros necessários para cumprir as metas. 

 

Tenho esperança de conseguir reconquistar tempo para a leitura em 2019 e desejo-vos a todos excelentes leituras! Uma boa história vale mais que muita coisa.  

2018, que canseira.

Os acontecimentos deste ano resumidos em frases curtas, sem grande ordem cronológica:

 

Paniquei com a procura de um estágio. Consegui um estágio a 266km de casa. Mudei-me para Carnaxide. Vim viver com pessoas que também estavam a 266km de casa. Entrei no mundo profissional. Tive mês a sobrar no final do salário. Várias vezes. Fiz 22 anos e senti que o tempo estava a passar muito depressa. Passei fins de semana a correr só para ir a casa. Fiz novas amizades. Cimentei outras. Passei por situações que não esperava. Chorei de cansaço. Chorei de raiva. Chorei de tristeza. Chorei de felicidade. Ri muito. Muito mesmo. Bebi muito. Muito mesmo. Fiz histórias para mais tarde contar. Senti que não estava pronta para isto. Terminei o estágio. Licenciei-me. Assinei o meu primeiro contrato. Trabalhei horas extraordinárias. Desenmerdei-me várias vezes. Tive saudades de casa. Senti-me desamparada. Deixei coisas por dizer. Comi boa comida. Fui a festivais de verão. Vi bandas que adoro. Comecei um curso. Fui vítima de fraude. Ultrapassei barreiras. Apaixonei-me de novo pelo meu namorado. Pensei em desistir de tudo e retroceder. Fui muito feliz. 

 

Ainda faltam 6 dias para encerrar este ano, mas estou ansiosa por ver o que 2019 me trará. 

Declarações Arrojadas sobre o Sexo Feminino

 

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  É algo tão simples quanto isto: eu adoro ser mulher. Adoro! Mesmo com todas as coisas chatas que isso envolve, tipo hemorragias mensais e montanhas russas de emoções durante as mesmas. Adoro quando oiço alguém dizer "Isso só acontece porque és mulher", seja em que contexto for. Sei que há muitas companheiras de género que odeiam esta frase, ou todas as outras com o mesmo sentido, mas eu gosto de imaginar que é o meu super poder. Imagino-me logo no topo de uma arranha-céus com uns vertiginosos Louboutin, batom vermelho e uma capa da mesma cor a esvoaçar.

 

  Claro que há realidades que aniquilam essa visão utópica do meu ser. Uma dessas situações é quando estou sozinha, a caminho do trabalho, e oiço a buzina oriunda de um carro repleto de homens porque ousei vestir uma saia. Todas as mulheres sabem que vestir uma saia é o equivalente a usar um sinal que diz "Olha para mim, sou um suculento naco de carne na montra do talho!". Por muito que me incomode e repulse, até nessas situações tento flutuar no copo meio cheio e pensar que aquela saia era tão gira que até os homens a queriam poder usar. E podem. Os macaquinhos no sotão é que não os deixam. 

 

  Escrever sobre este tema e assumir tão abertamente a minha visão do poder magnífico que é ser mulher é pedir para ser linchada em praça pública. Sei perfeitamente que este texto tem tudo para ser mal interpretado. Porém, esta é a maravilha da liberdade de expressão, e, se é invocada tantas vezes por coisas bem mais parvas, aqui também serve muito bem o seu propósito. E pensar que este texto foi inspirado pela leitura de uma revista feminina repleta de padrões de beleza absurdos impostos pela sociedade. Oh, the irony

 

Produtividade literária e as metas utópicas

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Há já alguns anos que faço o Goodreads Reading Challenge. Este ano consegui cumpri-lo a 4 meses do final do ano. Algo que não acontecia desde 2015, o ano em que ia de autocarro para a Universidade, sendo isso sinónimo de muito tempo para queimar. E sabem no que reparei? Sempre que estipulava metas "astronómicas", nunca as cumpria. Uma meta simples e realista de 10 livros este ano fez com que conseguisse terminar o challenge. 


Por isso, malta, sejam realistas com os vossos objectivos e o número de vitórias aumenta substancialmente. 

 

Caso também andem pelo Goodreads, sigam-me e partilhem os vossos objectivos comigo. Estou sempre disponível para discutir livros.