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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

Eu e a Zadie

 

 

  Comprei o NW da Zadie Smith no verão de 2016. Agarrei-me a ele com unhas e dentes depois de ter visto tantas críticas positivas. Toda a pessoa que era pessoa no mundo da crítica literária tinha uma boa opinião acerca deste livro, já para não falar do hype que teve por parte de uma pessoa em cujo gosto literário eu confio como se a minha vida dependesse disso. 

  Li 30 páginas e parei. Fiquei desiludida, estava à espera de uma obra prima e aquilo parecia-me só confuso. Frases curtas, estrangeirismos sem nexo, coisas que só quem é familiar com aquela zona de Inglaterra consegue entender. Acabou por ficar até este ano na prateleira a ganhar pó.

  Todas as vezes que me apetecia ler algo diferente pensava em dar-lhe uma segunda oportunidade mas desistia sempre da ideia. Até que na semana passada joguei-lhe a mão novamente e li 50 páginas de uma assentada. Afinal, sempre consigo perceber as maravilhas que diziam dele! Dei por mim a sublinhar frase atrás de frase, em alguns casos, parágrafos completos. Ler NW para mim é um sufoco, porque eu quero mais, desenvencilhar a história toda, entranhar-me na história daquelas pessoas, mas não consigo ler tão rápido quanto queria. É exactamente o mesmo sentimento que quando faço um teste para o qual sei todas as respostas, mas não consigo escrever tanto quanto queria. 

  Depois de ter levado 2 anos a amaldiçoar-te, Zadie Smith, obrigada por me teres tirado do reading slump horrendo que se arrasta por estas zonas. 

Como resolver 1 problema e ficar com mais 20

 

 

 

  Vamos todos respirar de alívio: Habemus estágio! Sim, as minhas preces foram finalmente atendidas, e, quando digo preces, leia-se tentativas desesperadas de contacto para tudo o que se assemelhasse a algo que eu me vejo a fazer em estágio. Vou voltar a Lisboa desta vez num contexto profissional. Se estou preparada? Não, credo, estou mega assustada, com direito ao menu completo de suores frios e crises de ansiedade, mas o que tem de ser, tem muita força. Agora vem o problema de arranjar quarto, tratar do passe (e eu na minha inocência julgando que nunca mais teria de entrar em contacto com a Carris), preparar-me para um mundo completamente diferente do descanso que foi a universidade e tantos outros. Os dois anos que desperdicei numa licenciatura na qual não me enquadrava pesavam-me muito, mas, neste momento, estou ligeiramente grata por eles. Nunca na vida teria estofo emocional para isto nos meus singelos 20 anos. Agora é pegar na trouxa e rumar ao futuro. Na minha cabeça só ecoam clichés, mas porra, que bom é finalmente ter um propósito palpável, mesmo ali à minha frente.

Estudar Ciências da Comunicação é

(A minha cara quando alguém me pergunta se quero ser jornalista. Não, não quero.)

 

Ouvir "Então, vais ser jornalista?" ou o clássico "Quais são as saídas desse curso mesmo?". O mais chato é que, na minha instituição, parece que até os professores se englobam na categoria de pessoas que acha que estes 3 anos de aprendizagem só servem para acabar numa redacção, ou como pivô do jornal das 18h na CMTV. Se eu ganhasse 1€ por cada vez que respondo a estas perguntas, estava neste momento a banhar-me nas Caraíbas e não enfiada em casa, a marrar para aquele que eu espero que seja o último exame desta licenciatura em Existe-Comunicação-Para-Além-Do-Jornalismo

Student Wars - Episódio IV: A ameaça do estágio curricular

 

"Se ninguém me quer para trabalhar de borla, imagina quando for a pagar."

- Eu, todas as manhãs, ao constatar que continuo sem encontrar estágio. 

 

  Este é um assunto recorrente na minha vida, na realidade acho que não consigo falar de mais nada ultimamente. Desde outubro que envio propostas para mil e um sítios diferentes, tendo a coisa tomado proporções desesperadas agora em janeiro, dado que chego a mandar 5 currículos num dia bom. Em 10 propostas enviadas, recebi 3 respostas e todas negativas. Pode parecer exagero, mas não é. Disponibilizo-me a enviar prints da minha caixa de correio electrónico a fim de o comprovar. No último post, falei de uma experiência de trabalho com uma empresa na qual adorava estagiar. Ora bem, fui lá, dei tudo o que tinha e ainda assim não foi suficiente. Creio que esse foi o maior golpe na minha confiança para esta experiência toda. Posto isto, se alguma alminha me quiser oferecer um estágio, por favor, já estou por tudo. 

A different way

 

 

 

  Tudo está diferente. Estou no último ano da minha licenciatura em Ciências da Comunicação e senti uma vontade inesperada de voltar a escrever aqui. Creio que em alturas de grande mudanças viro-me sempre para a escrita, minha fiel companheira e grande desmistificadora de tempestades que somente existem no meu cérebro. 

  Estou em fase de procura de estágio e definição do que virá a ser o meu futuro. Quero encontrar algo com o qual me identifique, mas principalmente algo no qual me imagine a trabalhar o resto da minha vida. Iria ser uma grande desilusão não desvendar logo esse mistério nesta experiência, não sei como iria lidar com isso (sim, eu sei, é um ponto de vista infantil, but oh well). Vou-me lembrando de empresas de que gosto e vou mandando propostas, mesmo que estas fiquem para sempre enterradas numa caixa de correio electrónico por abrir. 

  No próximo fim-de-semana vou ter a primeira experiência com uma das empresas pelas quais eu dava um rim para trabalhar. Não, não estou a ser irónica, quero mesmo muito este estágio. Quero-o tanto que me vou deslocar do Algarve até Braga sozinha, com as despesas todas por minha conta, só para não perder esta experiência. Enquanto me tento mentalizar que há 50% de hipóteses de correr mal, dou por mim numa bolha de felicidade e entusiasmo que há muito não sentia. Esperar para ver. Esta ansiedade dá cabo de mim. 

Regresso às aulas parte 2º Semestre

Depois de 1 mês e meio de férias, segunda-feira volto às aulas, o que é maravilhoso, dado que já estava a morrer de tédio. Porém, depois de 3 anos de ensino universitário e outros muitos de ensino regular, ainda estou para perceber qual é o problema que alguns colegas têm em partilhar apontamentos das aulas e afins. Eu já fui a aluna que raramente metia os pés nas aulas, que precisava desesperadamente dos mesmos, e, também já fui (e sou) a aluna que tira apontamentos até do espirro do professor e não tenho problema nenhum em partilhá-los. "Ah, mas o mérito não é deles.", "Ele que fosse às aulas", etc. Está bem, mas se ele fizer o curso à custa dos teus apontamentos, a vida vai-se encarregar de o castigar de outras maneiras. Ele nunca se vai desenvencilhar no mundo do trabalho, porque sempre se encostou no trabalho dos outros. Será assim tão difícil de perceber? 

Acabar 2015 com uma dica

  Malta da era do Harry Potter, completamente apaixonado pela J.K. Rowling, tenho uma boa notícia para os mais despassarados: ela continua a escrever, só que utiliza o nome de Robert Galbraith e inventou um detective. 

  Só em 2015, tive a honra de ler 2 livros, tendo em conta que estou a acabar o 2º, e, digo-vos, ela é mesmo do caraças. Parem tudo o que estão a fazer e vão comprar os livros do Robert Galbraith! Há traduzidos e tudo. 

Um amor piroso

 

 

  Ela ansiava por um amor piroso. Do mais lamechas e cliché possível. Porque, afinal de contas, o que é o amor se não a definição de pirosice? Ela queria beijos roubados numa esquina, bilhetes que dissessem "tem um bom dia, gosto muito de ti" colados no frigorífico, um coração desenhado no espelho embaciado do seu duche.

  Ela nada mais pedia que alguém que quisesse gritar ao mundo o quão boa era a sua companhia. Um telemóvel cheio de selfies dos dois, sérios, a sorrir, a fazer caretas, apaixonados que nem palermas. Ela esperava por alguém que lhe desse a mão na rua, que a surpreendesse, a puxasse e a olhasse nos olhos. "Sou realmente sortudo por te ter", diria ele, antes de a beijar ternamente. Ela procurava um companheiro de karaoke no supermercado, simplesmente porque estava a dar aquela música específica, ignorando os olhares dos restantes clientes.

  Alguém que visse os pequenos pormenores das coisas e prestasse atenção, que lhes soubesse dar valor. "O chão está a arder" e ele pulava imediatamente para cima do sofá, sem pensar duas vezes, porque ele sabia que nem tudo na vida era para ser levado a sério e as brincadeiras de criança nunca deviam acabar. Ela queria olhar para alguém demoradamente, enquanto um pequeno sorriso lhe brotava na face, "onde é que eu fui encontrar alguém como tu?".

  Ele ia ser a pessoa a quem ela ia dedicar todo o seu carinho e afecto, a coisa mais preciosa do seu mundo, ela ia tratá-lo e mimá-lo com a maior das estimas. Ao seu lado, nada lhe faltaria e a única definição presente no seu dicionário iria ser a de "felicidade extrema e absoluta".

  Ela não tinha um amor piroso. Ainda não. Mas o pensamento de que ele andava por aí algures, à sua espera numa esquina para lhe roubar um beijo, ou a arrancar flores d'um canteiro para lhe dar, aconchegava-lhe o coração antes de adormecer.

Bem-Me-Leve

  Hoje li um texto que dizia que só tinhamos uma oportunidade de nos apaixonarmos com o coração ainda intacto. E isso fez-me pensar no quão verdade isso é.

  Lembro-me bem de como foi apaixonar-me pela primeira vez. Foi descobrir sentimentos que eu nunca pensei que existissem, mandar-me de cabeça para um abismo do qual não sabia nada, mas eu não me preocupei. Tinha a certeza que todas as borboletas que voavam incessantemente no meu estômago me levariam a bom porto. Não havia como pensar num final que não fosse o felizes para sempre. Afinal de contas, essa era a única certeza que eu tinha sobre o amor, que todas as histórias acabavam felizes para sempre.

  Mas depois, tudo caiu e o abismo era mais fundo do que eu pensava. Caí no fundo e percebi que havia mais no mundo que o final das histórias que eu lia. De repente, as borboletas tinham voado sem mim e eu estava sozinha, envolvida no frio de um coração partido. Não se comparava às tristezas que havia sentido antes, ao lado desta, pareciam-me todas meras balelas insignificantes. Foi perceber o verdadeiro tamanho de tristeza e o que ela nos pode fazer.

  Ler aquele texto hoje fez-me pensar. Chego à conclusão de que dava tudo para me apaixonar outra vez com um coração limpo. Um coração que não tivesse medo do fundo do abismo, nem receio que o final pudesse ser algo que não feliz. Não há amor como o primeiro e eu estou cansada de me apaixonar com um coração sofrido.