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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

Discotecas e as pessoas que as frequentam

 

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  No sábado, fui a uma discoteca, algo que não acontecia já há algum tempo por mil e um factores. Dei por mim a reparar que, mesmo sem conhecer ninguém para além dos meus amigos, eu já tinha visto aquelas pessoas todas em tantas outras noites de discotecas. Como é óbvio, dei por mim a catalogá-las por tipos, quase como se tivesse a definir personagens de um livro. Ora bem, estas foram as personagens que se cruzaram no meu caminho e, com certeza que, se já foram a discotecas, já encontraram estas pessoas.

 

Nota: Esta é uma análise sociológica de cariz meramente humorístico. Não é de todo minha intenção ofender quem quer que seja, até porque esta menina que aqui vos escreve já se enquadrou em muitas destas categorias por variadíssimas vezes.

 

O monopasso de dança

Esta categoria encontra-se tanto no sexo masculino, como no sexo feminino, sendo que no último se denota pela sexualidade implícita nesse passo. Há aquelas pessoas que só sabem abanar os braços como se tivessem a abanar um Ucal, ou somente abanam o corpo para a frente e para trás, unindo os joelhos e os ombros em movimentos que, sinceramente, nem sei bem descrever. A minha noite de sábado foi marcada por uma rapariga naquele limiar entre o canto e o meio do pista que somente sabia fazer o 'quadradinho' e outros movimentos de abananço de rabo. (Foi tão constrangedor como estão a imaginar.)

 

Os suportes de parede/esfomeados por só-mais-um-bocadinho-de-decote

Estes são um favorito de todas as senhoras (entenda-se a ironia). Aqueles grupos de homens encostados às paredes, somente a bater o pézinho ao ritmo da música, a observar as mulheres a dançar na pista com a atenção de quem tenta contar quantos bagos de arroz traz a embalagem. Os olhares daqueles meninos cravados na pele de quem ousa dançar na pista à frente deles é tão intenso que se ouve um barulho tipo óleo a crepitar na frigideira. Raramente se afastam, muitas vezes segurando um copo vazio durante horas para não perder o seu lugar na parede. 

 

O lobo solitário das pistas de dança

À semelhança da primeira categoria, aplica-se a ambos os sexos e normalmente é um efeito secundário do consumo de bebidas espirituosas ou estupefacientes. Aquela pessoa que está sozinha na pista, geralmente muito perto do DJ, quase como se tivesse numa festa privada só entre ela e o DJ. Domina todos os passos e executa-os de uma forma hiperbólica. Em alguns casos pensa estar a ser tão bem sucedida que olha ocasionalmente para os lados a ver se arranja companhia para um Flashdance. Na minha noite de sábado, esta categoria brilhou na pele de uma senhora que aparentava ter idade para ser minha avó, vestida quase de noiva, com umas exuberantes pérolas no cabelo e uma soltura de braços e de anca inimaginável.

 

Os índios do estrangeiro

Creio que esta categoria manifesta-se mais no Algarve, mas acredito que existam noutro sítio. Grupos de estrangeiros, entre 2 a mais pessoas, que levam a peito a filosofia de "ninguém me conhece, posso fazer o que eu quiser". Pessoas que dançam até lhes escorrer suor por todos os lados, tiram camisolas, andam descalços e tudo em nome da liberdade que o facto de serem de outro país lhes dá. Não vos consigo dizer quantos pares de sapatos abandonados e pessoas descalças na pista encontrei no meu sábado à noite. 

 

As alunas de Zumba nocturna

Zumba é uma modalidade muito apreciada pela maioria das mulheres, concentrando muitas adeptas na faixa etária dos 40-50. Porém, essa é também o único momento de dança na vida de muitas dessas adeptas, por isso, quando em outras situações (ex: discotecas), elas tendem a utilizar os mesmos movimentos. E sim, também dançam em coreografia, todas juntas. Fazem também rodinhas para analisar quem faz melhor o passo. Houve uma senhora que repetiu o passo que consiste em levar um joelho no ar e jogar os braços dobrados para trás até à exaustão, até eu já estava cansada. (Não conseguiram imaginar? É melhor assim.)

Pela defesa da palavra oral

 

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  Cheguei à derradeira etapa. Fim do estágio curricular e a 1 relatório de me licenciar. Eis que surge o problema: escrever o relatório. Ter de preencher dezenas de páginas com a descrição das minhas actividades diárias, os meus objectivos de estágio e as minhas reflexões é algo que me aborrece no verdadeiro sentido da palavra. Horas que eu podia preencher com o meu recém-adquirido-de-volta apetite literário ou a ver séries que não me interessam assim tanto, mas que ajudam a descomprimir ao final do dia. Não, não posso fazer nada disso. 

 

  Era tudo muito mais fácil se me chamassem para defender oralmente, sem qualquer escrito por trás. Eu, que falo pelos cotovelos, com certeza diria mais e melhor do que o que vou escrever. Chamem-me ao palco que eu estou pronta. Até faço uma apresentação toda catita para acompanhar o discurso. Não dá? Bolas, lá vou eu outra vez, afogar-me num documento Word que tem muito menos palavras com que deveria ter por esta altura.