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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

O poder das pequenas coisas

 

 

  Este post começou por se chamar "Como aquecer o coração de uma miúda de 15 anos em 2011" e esteve nos meus rascunhos durante anos. Mudei o título porque finalmente percebi o que queria dizer com ele. Lembrei-me dele hoje porque vi os Vampire Weekend pela primeira vez a semana passada e estou a poucos meses de os ver novamente. Aqui vai:

 

  Em 2011, estava no 10º ano e achava-me a coisa mais intelectual e culta do mundo. Vestia-me com padrões florais e malhas antigas da minha mãe, sempre com os meus Ray-Ban Wayfarer castanhos. Era uma miúda feliz, super interessada no que me rodeava e com um fascínio por indie rock

 

  Em 2011, fiz 15 anos. O expoente máximo do meu dia foi um almoço de noodles de cogumelos, os nossos favoritos, com um balão preso à minha cadeira, em casa do meu ex-namorado. Era algo tão simples mas que encheu tanto. Ele ofereceu-me o Vampire Weekend, primeiro álbum homónimo dos Vampire Weekend, e eu fiquei ainda mais cheia. Porquê? 

 

  Ele já me tinha dado a entender que aquele presente era algo pensado com carinho e não um presente só porque sim. Confesso que, no momento inicial em que abri o presente, não desvendei logo este significado. Cheguei até a ficar um bocadinho desiludida. Até que percebi. 

 

  O Vasco ofereceu-me aquele CD porque eu tinha dito em conversa que, um dia, queria ter todos os meus álbuns favoritos em formato físico. E disse-me "Para começares a tua colecção", quando mo ofereceu. Foi por isso que gostei tanto deste presente e o recordo com tanto carinho. Ele ouviu-me. E ouvirmos com atenção as pessoas de quem gostamos é das melhores coisas que podemos fazer por elas. 

 

  Num mundo cheio de barulho, sejam como o Vasco e ouçam mais. 

 

"O Amor nos Tempos de Cólera" - Uma Opinião

 

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  Finalmente chega a este belíssimo estaminé uma opinião de um livro lido no âmbito do Uma Dúzia de Livros. Isto porque, devido a outras festividades, este mês não vou conseguir estar na reunião presencial, sítio onde normalmente discorro sobre o livro que escolhi. 

 

  O tema para o mês de junho foi um livro passado num sítio que não conhecemos. Dado que tenho um passaporte muito vazio, a escolha não foi difícil. Este desafio tem sido bastante útil para desbravar livros comprados há meses, perdidos na estante. "O Amor nos Tempos de Cólera" era um desses desafortunados. 

 

  Foi a minha primeira vez com Gabriel García Márquez e confesso que não foi amor à primeira página. Cheguei até a comentar na última reunião que tinha ficado completamente estupefacta com a primeira descrição dada sobre Florentino Ariza. O suposto protagonista desta história de amor parecia-se com tudo menos com o príncipe encantado que eu esperava. 

 

  No entanto, esse pormenor foi das coisas que mais me fez gostar deste livro. As personagens são pessoas reais, com problemas reais, sentimentos reais, o pacote completo. Não são perfeitos, erram e lidam com os seus erros. Demorei algumas páginas até perceber que este era parte do encanto da escrita do GGM. 

 

  Escusado será dizer que adorei. A começar nas personagens e a acabar no enredo, este livro absorveu-me como há muito tempo nenhum o fazia. Depois da desilusão enorme que foi o livro do mês passado ("As Flores Perdidas de Alice Hart" da Holly Ringland), este pequeno foi uma lufada de ar fresco nas minhas leituras. 

Hoje venho aqui falar de 'ssoas

É verdade sim senhora, hoje venho aqui falar de 'ssoas. Assim mesmo, não me enganei a escrever, nem estou a tentar ser engraçada. Isto porquê? Porque o meu feed do twitter andou o dia inteiro num reboliço daqueles por causa desta série maravilhosa chamada #SÓQNÃO.

 

E é por isso que hoje venho falar da Joana. Tropecei no blog dela o ano passado, já nem consigo precisar como, mas abençoada essa hora. Trocámos meia dúzia de comentários e encontramo-nos no Super Bock Super Rock. Falámos como se nos conhecessemos desde sempre e, depois disso, foram várias as vezes em que a Joana fez por saber de mim. Sem querer absolutamente nada em troca. Num mundo repleto de parvoíces e gente tola, a Joana fez-me ter mais fé nisto tudo. A Joana tem tanto para oferecer ao mundo e, se vocês ainda não a conhecem, it's your loss, queridos. 

 

Façam um favor à vossa vidinha e vejam isto: 

 

Vamos falar da Guerra dos Tronos

 

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Este tema anda pensado para estes lados já há um bom tempo, mas hoje finalmente ganhei coragem para me agarrar às teclas e discorrer sobre ele. 

 

  Como sabem, mudei de trabalho há pouco tempo. Esta situação fez com que voltasse aos transportes públicos bidiários, nomeadamente comboio e autocarro. E, pessoas que ainda têm fé neste espaço, a verdadeira Guerra dos Tronos não passa na HBO, nem tem dragões, nem rainhas doidas, nem nada que se pareça. Trava-se em autocarros

 

  Conheci níveis de irritação que desconhecia ter em mim com este tema. Isto porque a vida quis que me cruzasse com os Imaculados do Corredor. Quem são estas personagens? São os pulhas (ah, que palavra deliciosa de se escrever e que nunca pode ser usada em contexto oral) que se sentam no banco do lado do corredor, mesmo quando não está ninguém do lado da janela.

 

  Toda a gente sabe que o banco do lado da janela é o Iron Throne dos transportes públicos, menos estes seres estranhos. Os Imaculados do Corredor são tão fieis à causa que não mexem um centímetro de traseiro que seja quando vêem uma pessoa de pé no autocarro. Pior ainda é que ofendem-se com quem lhes pede licença para se poder sentar no lugar vazio. Guardam aquele assento com vista exterior para sabe-deus-quem. Nas primeiras viagens, dei uma abébia. "Devem sair na próxima paragem," pensei, ingénua, inocente, que nem criança tola. Eles não saem na próxima paragem, nem na outra seguir. Eles fazem a carreira toda ali. 

 

  Tenho em mim que, se a Cersei soubesse destas criaturas, estava-se pouco cagando para os elefantes dos outros senhores. 

  Dito isto, se estão tristes com o final da Guerra dos Tronos, aconselho-vos um passeio na Vimeca. A ver se também fazem petições para isto. 

O derradeiro passo

 

 

 

  Em Fevereiro fez um ano que entrei no mundo dos adultos, que é como quem diz "vim morar sozinha, estagiar numa agência onde tive a sorte de ficar contratada". Hoje foi o meu último dia nessa agência e amanhã começo numa nova agência.

 

  O tempo está-me a escorregar pelos dedos depressa. Estão a ver quando vão ao supermercado, ainda estão a guardar as vossas compras nos sacos e já têm 20 produtos alheios amontoados pertos dos vossos, com uma pessoa aborrecida a mirar-vos? É assim que me sinto. Ainda estou a guardar as minhas tralhas de miúda no saco e já tenho todas as complicações adultas a rolarem no tapete a uma velocidade obscena na minha direcção

 

  Aqui que ninguém nos ouve, nunca pensei que fosse ficar com a vaga quando ela surgiu. Ainda hoje me é difícil acreditar e amanhã é o meu primeiro dia. Sou muito confiante em certas capacidades minhas, mas a nível profissional? Sinto-me aquele meme do cão no laboratório sempre. Carrego em botões e as coisas acontecem. Se me pedirem para explicar os botões, fico sem pio e a suar em bica. 

 

  É verdade, licenciei-me há menos de 1 ano e vou embarcar no 2º emprego na área. Tudo por mérito meu. Inacreditável, certo? Malta, eu estudei comunicação. Mais de metade dos meus colegas estão desempregados ou a trabalhar noutras áreas. A sorte com que fui bafejada ainda me consegue surpreender. 

 

  Nada do que escrevi faz muito sentido, mas é este o estado da nação. Olha, torçam por mim que eu também o faço por vocês!

 

Uma falha que fez a pessoa voltar dos defuntos.

 

livros valentine by jules jules blog

 

  Quem diria que eu ainda estava por cá? Verdade, verdadinha. Estou vivinha (a dor de cabeça não dá para estar viva a 100%). E o assunto que me traz cá hoje é a agenda dos blogs

 

  Quando reparei nessa nova feature, fiquei extremamente entusiasmada. Sim, porque embora eu tenha desaparecido da face do estaminé há um tempo considerável, venho cá todos os dias ver o que se produz. Mas o entusiasmo rapidamente desapareceu. Incrédula que nem, constatei que faltava um evento dos blogs extremamente importante. Sapo, cadê o encontro mensal d'Uma Dúzia de Livros da Rita

 

  Como eu sou boa rapariga, aqui ficam os detalhes. O próximo encontro é dia 14 de abril (domingo), das 16h às 18h, n'A Sala. Este encontro junta os livros de Março e Abril para discussão, mas todos os que gostem de falar e ouvir falar sobre livros são bem vindos! Vale muito a pena, quanto mais não seja para ouvir as críticas fantásticas das minhas companheiras de desafio. Eu não, sou um cocó a resumir o que achei do livro. Reúno 30 folhas de coisas inteligentes para dizer e depois engasgo-me toda na verborreia que sai desta belíssima boca. 

 

  Já agora, eu sei que isto é coisa de Follow Friday, mas vá, vamos chamar-lhe o Manda-me Blogs Monday. A minha zona das leituras está muito vazia, preciso de leituras novas! Aceito todas as vossas sugestões. 

Metáforas estranhas para sentimentos assustadores

 

  Hoje senti-me um rato USB desligado. Não sei porquê esta comparação, mas o que é certo é que ecoou alto na minha cabeça. Sinto-me um rato USB desligado. Estou ali, tenho pilhas, tenho todo um propósito, mas não funciono. Porquê? Estou desligada. E é só isso. São mais os dias que me sinto assim do que outros quaisqueres e isso chateia-me. Mas dias não são dias e hoje escrevi sobre isto. Há dias assim e não faz mal falar sobre eles. Para a próxima escrevo sobre algo que me aqueça o sangue. Neste momento sou só um rato USB desligado. 

 

 

A minha relação com a Rádio em 5 momentos

 

 

 

  Apesar de agora ser mais Spotify, em tempos fui muito Rádio. Desde as viagens de carro com o meu pai até à escola até às horas passadas no meu próprio carro entre casa e a universidade, sempre adorei ouvir Rádio. Passei por várias estações de eleição e recordo momentos bem giros passados com esta companheira. Estes são os meus 10 momentos/sentimentos/coisas de relação com a Rádio: 

 

1 - Quando era pequena, ouvia religiosamente a Guerra dos Sexos nas manhãs da RFM com a Carla Rocha e o Zé Coimbra. Se percebia alguma coisa daquilo? Não, e estava longe de sonhar saber qualquer uma daquelas respostas. Mas torcia sempre pelo sexo feminino

 

2 - Depois da RFM, a Rádio das manhãs com o meu pai foi a Cidade FM. Por causa da Joana Azevedo ter o mesmo nome que eu, achei que o meu futuro seria como locutora de Rádio. Até ter ouvido a minha voz na Rádio e ter detestado

 

3 - No meu 12º aniversário, o meu pai ligou para a RFM porque estavam a felicitar quem fazia anos naquele dia, 29 de fevereiro. Recebi os parabéns e ainda tive direito a uma piadinha que foi algo deste género: "Chega ao pé do pai e diz 'Pai, quero ver os Morangos com Açúcar'. Qual quê, tens 3 anos, vai mas é ver o Ruca". Nesse dia, deram-me os parabéns em directo na Rádio e ainda tive direito a ir ao Você na TV só por ter nascido neste dia peculiar. Sim, eu fui ao programa. Não, não há gravações. 

 

4 - Também perdida nos tenebrosos tempos da minha pré-adolescência está a minha primeira participação na Rádio. Apresentei uma música do Top 8 às 8 da Cidade FM e senti-me a última bolachinha do pacote porque um colega meu de turma estava a ouvir a emissão e reconheceu a minha voz. "E agora, no Top 8 às 8, em 6º lugar, "Say it right" da Nelly Furtado ft Timbaland." Coitadinha, a Nelly não estava lá muito bem colocada. 

 

5 - Infelizmente, este momento aconteceu já em idade quase adulta. Dei uma entrevista na RUA, a Rádio Universitária do Algarve, para promover um evento que tinha organizado para a cadeira de Culturas Fílmicas e Cinematográficas. A conversa estava a fluir tão bem que eu aproveitei o momento para falar da exibição da curta metragem de um amigo meu que ia acontecer naquele dia. Achei que tinha sido a melhor amiga do mundo, até ter descoberto que tinha dito o local errado da exibição em directo na Rádio. A definição de cringe podia muito bem ser a minha reacção quando me apercebi do que tinha feito. 

 

Se havia mais momentos para descrever esta relação? Sim, mas estes pareceram-me adequados. Hoje em dia, oiço muito pouco mas acompanhou-me em momentos tão bons que achei por bem assinalar o Dia Mundial da Rádio, ainda que quase no fim, com este post. 

 

A minha vida com a Isotretinoína

 

 

 

  Passou sensivelmente um mês desde que adoptei esta pequena, com um nome estranho e difícil de pronunciar, que vêem no título. Segundo a Wikipedia, "é um fármaco utilizado pela medicina no tratamento da acne severa, rosácea e acne resistente". Segundo a Dermatologista, é a cura para os meus problemas. Eu acho que ela é só chata. 

 

  Ora bem, eu não tenho acne severa. Mas aproximo-me dos 23 anos e ela continua aqui. Manifesta-se com pequenas borbulhas espontâneas e um tom rosado constante. Experimentei cremes, técnicas de lavagem persistentes e outras mil acrobacias sem a conseguir expulsar, por isso, recorri à Dermatologista

 

  Ouvi todos os efeitos secundários, li a bula e vi casos de sucesso na internet. Pensei que ia ser fácil esconder as explosões iniciais na minha pele, uma vez que me era permitido o uso de maquilhagem desde que fosse oil free, e que a secura não me ia perturbar por aí além. Inocente...

 

  Primeiro, tive de abdicar por completo da maquilhagem dado que a combinação de base com pele a desfazer-se está longe de ser bonita. Na boa, bring it on, tira-me tudo menos o eyeliner preto que tanto me caracteriza. Até que as pálpebras secaram e incharam. Mas secaram a sério, assim ao nível de desidratação do deserto! Aí, acabou a brincadeira da maquilhagem e começou a minha tristeza. Para quem não sabe, eu adoro maquilhagem. Tenho uma vasta colecção e uma rotina diária com, pelo menos, 10 passos, que me dá um gozo imenso. 

 

  E a secura dos lábios? Essa é outra marota. Acordo todos os dias a sentir-me um zombie acabado de despertar e a boca quase que estala de tão seca que está. Se me esqueço do stick labial em casa, é literalmente o fim do mundo, porque esta marota não me dá descanso e tortura-me ao ponto de me doer rir à gargalhada

 

  Ainda tenho 5 meses pela frente e espero bem que a Isotretinoína me livre desta acne resistente. Quero acreditar que é a santa milagrosa descrita pela Dermatologista. Porém, até agora, tem sido uma tortura da qual eu sonho em me livrar

 

Querida, não vais mudar de casa.

 

 

  Uma das coisas que ninguém me avisou foi que eu tinha de começar a poupar dinheiro em 2009 para conseguir viver sozinha em 2019. Um conselho maternal, transmitido com ternura e preocupação, que me dissesse que o meu primeiro ordenado não ia chegar para tudo e que as rendas iam ser absurdas nos meus vintes. Dizem que as mães sabem sempre tudo, têm sempre razão. Tinha-me dado imenso jeito a minha mãe ter previsto o rídiculo do mercado imobiliário antecipadamente. Se ela soubesse as dores que me tinha poupado... 

 

  Horas passadas no Pinterest a aperfeiçoar o meu quadro dedicado ao imobiliário para que tudo tivesse pronto a tempo. Já estava decidida a cor das paredes da sala, os azulejos da casa de banho e a disposição das molduras no corredor. Um esforço imenso brutalmente abalroado com uma breve pesquisa no Imovirtual ou qualquer outro do género. 

 

  Isto é aquela parte em que entram as mentes positivas e dizem "Jules, ainda vais a tempo. És nova, estás no teu primeiro emprego, a vida dá muitas voltas!". Eu percebo isso tudo e tenho plena noção. Mas, caramba, que desilusão. Como é que é suposto uma pessoa conseguir sentir-se adulta se nem sequer consegue viver sozinha? 

 

  Se algum vendedor imobiliário ler este post, deixo-lhe aqui uma mensagem: eu não peço muito, um T1 ou T0 (desde que a cama não seja a 20 centímetros do fogão, como já vi) perto do escritório a um preço, jeitoso que só ele, é suficiente