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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

Declarações Arrojadas sobre o Sexo Feminino

 

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  É algo tão simples quanto isto: eu adoro ser mulher. Adoro! Mesmo com todas as coisas chatas que isso envolve, tipo hemorragias mensais e montanhas russas de emoções durante as mesmas. Adoro quando oiço alguém dizer "Isso só acontece porque és mulher", seja em que contexto for. Sei que há muitas companheiras de género que odeiam esta frase, ou todas as outras com o mesmo sentido, mas eu gosto de imaginar que é o meu super poder. Imagino-me logo no topo de uma arranha-céus com uns vertiginosos Louboutin, batom vermelho e uma capa da mesma cor a esvoaçar.

 

  Claro que há realidades que aniquilam essa visão utópica do meu ser. Uma dessas situações é quando estou sozinha, a caminho do trabalho, e oiço a buzina oriunda de um carro repleto de homens porque ousei vestir uma saia. Todas as mulheres sabem que vestir uma saia é o equivalente a usar um sinal que diz "Olha para mim, sou um suculento naco de carne na montra do talho!". Por muito que me incomode e repulse, até nessas situações tento flutuar no copo meio cheio e pensar que aquela saia era tão gira que até os homens a queriam poder usar. E podem. Os macaquinhos no sotão é que não os deixam. 

 

  Escrever sobre este tema e assumir tão abertamente a minha visão do poder magnífico que é ser mulher é pedir para ser linchada em praça pública. Sei perfeitamente que este texto tem tudo para ser mal interpretado. Porém, esta é a maravilha da liberdade de expressão, e, se é invocada tantas vezes por coisas bem mais parvas, aqui também serve muito bem o seu propósito. E pensar que este texto foi inspirado pela leitura de uma revista feminina repleta de padrões de beleza absurdos impostos pela sociedade. Oh, the irony

 

Produtividade literária e as metas utópicas

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Há já alguns anos que faço o Goodreads Reading Challenge. Este ano consegui cumpri-lo a 4 meses do final do ano. Algo que não acontecia desde 2015, o ano em que ia de autocarro para a Universidade, sendo isso sinónimo de muito tempo para queimar. E sabem no que reparei? Sempre que estipulava metas "astronómicas", nunca as cumpria. Uma meta simples e realista de 10 livros este ano fez com que conseguisse terminar o challenge. 


Por isso, malta, sejam realistas com os vossos objectivos e o número de vitórias aumenta substancialmente. 

 

Caso também andem pelo Goodreads, sigam-me e partilhem os vossos objectivos comigo. Estou sempre disponível para discutir livros. 

 

Liane Moriarty ou a Senhora que me tira o sono

 

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  A série "Big Little Lies" estreou em Fevereiro de 2017 e desde logo me conquistou. O elenco, a banda sonora, as cores e o enredo. Isso conduziu-me até à escrita da Liane Moriarty, a autora do livro na qual a série se baseava. Movida por escassez monetária no momento em que decidi que tinha de saber o desfecho daquela história, recorri à pirataria e encontrei um PDF online. Li-o de rajada. Faltava-lhe a banda sonora espectacular da série, mas o enredo era mil vezes melhor. Mal sabia eu que estaria para sempre refém da Senhora Moriarty. 

 

  Agosto de 2017. Numa das muitas visitas à pequena estante designada como biblioteca do hotel onde tive o pior trabalho do mundo, tropecei num exemplar que me conquistou pela lombada. Era um livro da Liane Moriarty. A sinopse? Pouco importava. Levei-o para casa e, ao contrário do que fiz com os restantes livros que li daquela estante, não consegui devolver aquele. "Trully Madly Guilty" foi a segunda flecha cravada no meu coração pela Senhora Moriarty. 

 

  Maio de 2018. A minha vizinha do lado convidou-me para ir a casa dela ver os livros que ela tinha, com a premissa que poderia levar todos os que queria. Quem me dera que houvessem mais convites destes. Mais uma vez, ao vislumbrar a prateleira, deparei-me com outra lombada daquelas. Liane Moriarty! Devorei o "The Husband's Secret" em 3/4 assentadas de 100/150 páginas cada uma, tendo a última perturbado o meu sono, dado que só o larguei já eram quase 2 da manhã. (Entendam que eu sou uma idosa no que toca a horas de sono, menos de 7h não são aceitáveis para o normal funcionamento desta pessoa.) 


  Julho de 2018. A chegada do primeiro ordenado no mundo do marketing digital deu espaço a algumas prendas para mim própria. Uma delas? Acertaram! Um livro da Liane Moriarty. Comecei a ler o "Three Wishes" no domingo à noite e já mexeu com o meu horário de sono. Parece que não aprendo, mas a culpa é da Senhora Moriarty por ser a mestre dos enredos e personagens complexas. 


(Este post não foi patrocinado por ninguém, mas se estiverem interessados, adorava que me patrocinassem os 3 livros que me faltam da Liane Moriarty.) 

  

Jules Alive '18

 

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  Aos 22 anos, fui pela primeira vez ao Alive. Aquele mítico festival em Algés falado e apreciado por meio mundo. Por muito que goste de música, pensar em ir a festivais é sempre um tópico sensível para mim por causa das multidões. Admito que não sou a maior fã de grandes aglomerados de seres humanos em espaço que acabam por se revelar pequenos para a sua afluência. 

  No entanto, este ano finalmente fiz um visto nessa caixinha. O cartaz era demasiado bom, ainda que não tenha conseguido bilhete para o dia de Pearl Jam. Os dois primeiros dias fizeram de mim uma criança (muito muito muito) feliz. De todos os concertos que vi, Jain, Arctic Monkeys, The National, Queens of the Stone Age e o secret show fofinho da Mallu Magalhões conquistaram um lugar especial no meu álbum de recordações.

  Paguei alarvidades por cerveja, fintei filas com idas estratégicas ao WC e passei horas de pé a ver bandas que me eram muito queridas. Não usei purpurinas na cara, não vesti nada que tivesse franjas, nem andei de lingerie pelo recinto. Fui aquela pessoa não-millenial que vestiu roupa confortável, apropriada ao clima, e levou um carregamento de sandes como se tivesse 5 filhos a meu cargo. 
  Relativamente à tão debatida questão dos telemóveis a gravar cada segundo dos concertos, sou da mesma opinião que a vasta maioria que se tem pronunciado acerca desta temática. Fiquei espantada com o número mínimo de telemóveis que se viram erguidos num Palco Sagres cheio para receber Jain, o que me provou que o poder de um bom concerto ainda não foi devorado pelas tecnologias. Porém, quando os Arctic Monkeys tocaram a "Do I Wanna Know", fiquei igualmente espantada com o número de telemóveis que se ergueu quais cavaleiros a desembainharem espadas na hora do combate. 

 

Que venha o Super Bock Super Rock e os meus amados The XX!

Manual de Comunicação nas Redes Sociais

 

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  Como já mencionei anteriormente, trabalho em redes sociais. O meu dia a dia  roda entre o Facebook, o Instagram e o Twitter como ferramenta de trabalho. Sim, sou aquela pessoa que responde a comentários e mensagens em nome do cliente. Este post é algo já pensado há algum tempo e, mesmo sabendo que não vai atingir as pessoas a quem me refiro, achei de uma urgência peculiar. 

 

  Eu lembro-me de ter aprendido a escrever uma carta na primária. Qual a sua estrutura, os componentes básicos, entre outros. Mas pelos vistos as pessoas que me escrevem nas redes sociais não o fizeram. Ao enviar uma mensagem para alguém desconhecido, uma entidade, etc., há uma certa norma a seguir. Iniciar a mensagem com uma saudação, explicar a intenção, sei lá, aquelas coisas básicas, estão a perceber? Porém eu recebo mensagens que dizem "Preço para 2 noites, com peq. almoço, 2 pessoas". Assim, sem mais nem menos. Ou melhor ainda, mensagens que somente dizem "PREÇO". Sinto quase que acabei de acordar ao lado daquelas pessoas, toda a vida as conheci, daí dispensarmos o tradicional "Bom dia" e "Obrigado". Gosto também daquelas pessoas que escrevem estas mensagens mas como comentário em publicações. Como quem diz "Tu que estás aí a escrever isto, faz o teu trabalho e diz-me o preço para 2 pessoas com pequeno almoço, entre 20 e 24 de julho neste hotel, que é para isso que te pagam". As pessoas que fazem isto são as mesmas pessoas que não levantam os tabuleiros na restauração dos centros comerciais para "não tirarem o trabalho a ninguém". 

 

  Como alguém que está do outro lado, garanto-vos que a vossa mensagem será muito melhor recebida se tiverem algum respeito e atenção para com a pessoa que vos vai dar a informação que querem. As mensagens nas redes sociais não são telegramas, têm caracteres à farta para a saudação e até para todos os P.S.s do mundo. Pela felicidade de todos os gestores de redes sociais deste mundo, sejam tão bem educados no mundo virtual quanto o são no real. 

 

(Se são sempre mal educados, tenho pena de vocês.)

(Este post também se aplica à boa educação para todos que vos prestam serviços, desde a caixa de supermercado ao carteiro.)

 

Discotecas e as pessoas que as frequentam

 

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  No sábado, fui a uma discoteca, algo que não acontecia já há algum tempo por mil e um factores. Dei por mim a reparar que, mesmo sem conhecer ninguém para além dos meus amigos, eu já tinha visto aquelas pessoas todas em tantas outras noites de discotecas. Como é óbvio, dei por mim a catalogá-las por tipos, quase como se tivesse a definir personagens de um livro. Ora bem, estas foram as personagens que se cruzaram no meu caminho e, com certeza que, se já foram a discotecas, já encontraram estas pessoas.

 

Nota: Esta é uma análise sociológica de cariz meramente humorístico. Não é de todo minha intenção ofender quem quer que seja, até porque esta menina que aqui vos escreve já se enquadrou em muitas destas categorias por variadíssimas vezes.

 

O monopasso de dança

Esta categoria encontra-se tanto no sexo masculino, como no sexo feminino, sendo que no último se denota pela sexualidade implícita nesse passo. Há aquelas pessoas que só sabem abanar os braços como se tivessem a abanar um Ucal, ou somente abanam o corpo para a frente e para trás, unindo os joelhos e os ombros em movimentos que, sinceramente, nem sei bem descrever. A minha noite de sábado foi marcada por uma rapariga naquele limiar entre o canto e o meio do pista que somente sabia fazer o 'quadradinho' e outros movimentos de abananço de rabo. (Foi tão constrangedor como estão a imaginar.)

 

Os suportes de parede/esfomeados por só-mais-um-bocadinho-de-decote

Estes são um favorito de todas as senhoras (entenda-se a ironia). Aqueles grupos de homens encostados às paredes, somente a bater o pézinho ao ritmo da música, a observar as mulheres a dançar na pista com a atenção de quem tenta contar quantos bagos de arroz traz a embalagem. Os olhares daqueles meninos cravados na pele de quem ousa dançar na pista à frente deles é tão intenso que se ouve um barulho tipo óleo a crepitar na frigideira. Raramente se afastam, muitas vezes segurando um copo vazio durante horas para não perder o seu lugar na parede. 

 

O lobo solitário das pistas de dança

À semelhança da primeira categoria, aplica-se a ambos os sexos e normalmente é um efeito secundário do consumo de bebidas espirituosas ou estupefacientes. Aquela pessoa que está sozinha na pista, geralmente muito perto do DJ, quase como se tivesse numa festa privada só entre ela e o DJ. Domina todos os passos e executa-os de uma forma hiperbólica. Em alguns casos pensa estar a ser tão bem sucedida que olha ocasionalmente para os lados a ver se arranja companhia para um Flashdance. Na minha noite de sábado, esta categoria brilhou na pele de uma senhora que aparentava ter idade para ser minha avó, vestida quase de noiva, com umas exuberantes pérolas no cabelo e uma soltura de braços e de anca inimaginável.

 

Os índios do estrangeiro

Creio que esta categoria manifesta-se mais no Algarve, mas acredito que existam noutro sítio. Grupos de estrangeiros, entre 2 a mais pessoas, que levam a peito a filosofia de "ninguém me conhece, posso fazer o que eu quiser". Pessoas que dançam até lhes escorrer suor por todos os lados, tiram camisolas, andam descalços e tudo em nome da liberdade que o facto de serem de outro país lhes dá. Não vos consigo dizer quantos pares de sapatos abandonados e pessoas descalças na pista encontrei no meu sábado à noite. 

 

As alunas de Zumba nocturna

Zumba é uma modalidade muito apreciada pela maioria das mulheres, concentrando muitas adeptas na faixa etária dos 40-50. Porém, essa é também o único momento de dança na vida de muitas dessas adeptas, por isso, quando em outras situações (ex: discotecas), elas tendem a utilizar os mesmos movimentos. E sim, também dançam em coreografia, todas juntas. Fazem também rodinhas para analisar quem faz melhor o passo. Houve uma senhora que repetiu o passo que consiste em levar um joelho no ar e jogar os braços dobrados para trás até à exaustão, até eu já estava cansada. (Não conseguiram imaginar? É melhor assim.)

Pela defesa da palavra oral

 

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  Cheguei à derradeira etapa. Fim do estágio curricular e a 1 relatório de me licenciar. Eis que surge o problema: escrever o relatório. Ter de preencher dezenas de páginas com a descrição das minhas actividades diárias, os meus objectivos de estágio e as minhas reflexões é algo que me aborrece no verdadeiro sentido da palavra. Horas que eu podia preencher com o meu recém-adquirido-de-volta apetite literário ou a ver séries que não me interessam assim tanto, mas que ajudam a descomprimir ao final do dia. Não, não posso fazer nada disso. 

 

  Era tudo muito mais fácil se me chamassem para defender oralmente, sem qualquer escrito por trás. Eu, que falo pelos cotovelos, com certeza diria mais e melhor do que o que vou escrever. Chamem-me ao palco que eu estou pronta. Até faço uma apresentação toda catita para acompanhar o discurso. Não dá? Bolas, lá vou eu outra vez, afogar-me num documento Word que tem muito menos palavras com que deveria ter por esta altura. 

Os Globos de Ouro de 2018 em 10 pontos

 

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(Foto por Inês Costa Monteiro, fotógrafa do NiT.)

 

  Ontem à noite o Coliseu dos Recreios encheu-se para aquela cerimónia anual que é sempre descrita como uma "noite cheia de glamour, gente gira e bom ambiente". É também um dos meus guilty pleasures, assumo. Gosto de ver e comentar as farpelas escolhidas pelos convidados. Diga-se de passagem que sou muito mais simpática que o (intragável) Cláudio Ramos. Posto isto, aqui estão as minhas 10 considerações acerca deste espectáculo:

 

  1. O meu vestido favorito foi o da Inês Castel-Branco, se bem que recolheu opiniões agridoces da restante população. Talvez o facto de lhe achar um piadão tenha ajudado na construção dessa opinião. 
  2. A Sara Matos decidiu prestar homenagem às escovas das lavagens automáticas para os carros, em preto. Esta é uma constatação roubada à minha melhor amiga, mas eu não consegui arranjar melhor descrição. 
  3. A Cláudia Vieira, que é uma mulher linda e com um corpo de sonho, decidiu armar-se em chica esperta e vestir-se de Globo de Ouro. Todos amaram. Eu detestei. Talvez se o vestido fosse diferente, a brincadeira cromática tivesse corrido melhor.
  4. A Rita Blanco é a Meryl Streep portuguesa, e contra isso não há quem argumente. 
  5. Continuando na Rita Blanco, que burn magnífico ao Ministro da Cultura e ao (paupérrimo) trabalho que o mesmo leva a cabo. 
  6. O César Mourão é dos melhores humoristas portugueses, já todos sabemos disso, mas acho que deu um passo maior que a perna na condução da gala. 
  7. Continuo sem perceber porque é que ainda dão tempo de antena ao Cláudio Ramos. Não há trabalho de escritório para ele? Sei lá, arquivar umas folhas, preencher relatórios, qualquer coisa menos ter que ouvir aquela vozinha a achar que a sua opinião tem valor de ouro. 
  8. Já agora, tirem também o tempo de antena à Bárbara Guimarães.
  9. Quando é que a orquestra vai parar de interromper discursos? Uma pessoa está a tentar ouvir profissionais da indústria a falar e aqueles chatos sempre com aquela banda sonora de filme de terror ali de fundo. 
  10. 1% para a Cultura.