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Valentine

um blog indefinido e mesclado como só ele sabe ser

Sou uma criança mal-habituada

 

 

 

  Em 2013, mudei-me para Lisboa e fui viver sozinha pela primeira vez. Era um T4 espaçoso, bem colocado, partilhado com mais 3 amigos meus. Na faculdade ouvia os meus colegas a queixarem-se de colegas de casa com maus hábitos, senhorios picuinhas, intromissivos, e eu não me identificava com estes problemas de quem estava a viver sozinho pela primeira vez. A única vez que vi o meu senhorio foi no dia em que aluguei a casa, os restantes contactos deram-se por telefone e nunca me faltou nada em casa. 

  Em 2018, volto a mudar-me para Lisboa e vou viver para um quarto, com acesso partilhado às restantes utilidades. Já rejeitei um quarto por achar que o senhorio era demasiado presente na vida de quem vivesse naquela casa, e, quando o fiz, conclui que estou mal-habituada. Eliminei da minha lista um quarto perfeitamente habitável, numa casa agradável, simplesmente pelo facto que aquele senhorio não seria ausente e permissivo como o que tive na primeira experiência. 

  Vou ter de redefinir as minhas prioridades e habituar-me à ideia que vou partilhar casa com pessoas que não conheço, dentro das condições que o senhorio bem entender. Bah, isto de "adulting" é uma seca. 

 

Parece sempre que é a primeira vez

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 Após quase 2 anos de ausência, volto ao Valentine e, em meia dúzia de posts sobre a minha angústia, acontece isto. Já não é a primeira vez, mas fico sempre contente, tal e qual criança no corredor dos brinquedos do Continente na época natalícia. Obrigada Blogs Sapo, por seres a plataforma maravilhosa onde eu despejo os meus devaneios há quase uma década e nunca me desiludires!

Eu e a Zadie

 

 

  Comprei o NW da Zadie Smith no verão de 2016. Agarrei-me a ele com unhas e dentes depois de ter visto tantas críticas positivas. Toda a pessoa que era pessoa no mundo da crítica literária tinha uma boa opinião acerca deste livro, já para não falar do hype que teve por parte de uma pessoa em cujo gosto literário eu confio como se a minha vida dependesse disso. 

  Li 30 páginas e parei. Fiquei desiludida, estava à espera de uma obra prima e aquilo parecia-me só confuso. Frases curtas, estrangeirismos sem nexo, coisas que só quem é familiar com aquela zona de Inglaterra consegue entender. Acabou por ficar até este ano na prateleira a ganhar pó.

  Todas as vezes que me apetecia ler algo diferente pensava em dar-lhe uma segunda oportunidade mas desistia sempre da ideia. Até que na semana passada joguei-lhe a mão novamente e li 50 páginas de uma assentada. Afinal, sempre consigo perceber as maravilhas que diziam dele! Dei por mim a sublinhar frase atrás de frase, em alguns casos, parágrafos completos. Ler NW para mim é um sufoco, porque eu quero mais, desenvencilhar a história toda, entranhar-me na história daquelas pessoas, mas não consigo ler tão rápido quanto queria. É exactamente o mesmo sentimento que quando faço um teste para o qual sei todas as respostas, mas não consigo escrever tanto quanto queria. 

  Depois de ter levado 2 anos a amaldiçoar-te, Zadie Smith, obrigada por me teres tirado do reading slump horrendo que se arrasta por estas zonas. 

Como resolver 1 problema e ficar com mais 20

 

 

 

  Vamos todos respirar de alívio: Habemus estágio! Sim, as minhas preces foram finalmente atendidas, e, quando digo preces, leia-se tentativas desesperadas de contacto para tudo o que se assemelhasse a algo que eu me vejo a fazer em estágio. Vou voltar a Lisboa desta vez num contexto profissional. Se estou preparada? Não, credo, estou mega assustada, com direito ao menu completo de suores frios e crises de ansiedade, mas o que tem de ser, tem muita força. Agora vem o problema de arranjar quarto, tratar do passe (e eu na minha inocência julgando que nunca mais teria de entrar em contacto com a Carris), preparar-me para um mundo completamente diferente do descanso que foi a universidade e tantos outros. Os dois anos que desperdicei numa licenciatura na qual não me enquadrava pesavam-me muito, mas, neste momento, estou ligeiramente grata por eles. Nunca na vida teria estofo emocional para isto nos meus singelos 20 anos. Agora é pegar na trouxa e rumar ao futuro. Na minha cabeça só ecoam clichés, mas porra, que bom é finalmente ter um propósito palpável, mesmo ali à minha frente.

Estudar Ciências da Comunicação é

(A minha cara quando alguém me pergunta se quero ser jornalista. Não, não quero.)

 

Ouvir "Então, vais ser jornalista?" ou o clássico "Quais são as saídas desse curso mesmo?". O mais chato é que, na minha instituição, parece que até os professores se englobam na categoria de pessoas que acha que estes 3 anos de aprendizagem só servem para acabar numa redacção, ou como pivô do jornal das 18h na CMTV. Se eu ganhasse 1€ por cada vez que respondo a estas perguntas, estava neste momento a banhar-me nas Caraíbas e não enfiada em casa, a marrar para aquele que eu espero que seja o último exame desta licenciatura em Existe-Comunicação-Para-Além-Do-Jornalismo

Student Wars - Episódio IV: A ameaça do estágio curricular

 

"Se ninguém me quer para trabalhar de borla, imagina quando for a pagar."

- Eu, todas as manhãs, ao constatar que continuo sem encontrar estágio. 

 

  Este é um assunto recorrente na minha vida, na realidade acho que não consigo falar de mais nada ultimamente. Desde outubro que envio propostas para mil e um sítios diferentes, tendo a coisa tomado proporções desesperadas agora em janeiro, dado que chego a mandar 5 currículos num dia bom. Em 10 propostas enviadas, recebi 3 respostas e todas negativas. Pode parecer exagero, mas não é. Disponibilizo-me a enviar prints da minha caixa de correio electrónico a fim de o comprovar. No último post, falei de uma experiência de trabalho com uma empresa na qual adorava estagiar. Ora bem, fui lá, dei tudo o que tinha e ainda assim não foi suficiente. Creio que esse foi o maior golpe na minha confiança para esta experiência toda. Posto isto, se alguma alminha me quiser oferecer um estágio, por favor, já estou por tudo. 

A different way

 

 

 

  Tudo está diferente. Estou no último ano da minha licenciatura em Ciências da Comunicação e senti uma vontade inesperada de voltar a escrever aqui. Creio que em alturas de grande mudanças viro-me sempre para a escrita, minha fiel companheira e grande desmistificadora de tempestades que somente existem no meu cérebro. 

  Estou em fase de procura de estágio e definição do que virá a ser o meu futuro. Quero encontrar algo com o qual me identifique, mas principalmente algo no qual me imagine a trabalhar o resto da minha vida. Iria ser uma grande desilusão não desvendar logo esse mistério nesta experiência, não sei como iria lidar com isso (sim, eu sei, é um ponto de vista infantil, but oh well). Vou-me lembrando de empresas de que gosto e vou mandando propostas, mesmo que estas fiquem para sempre enterradas numa caixa de correio electrónico por abrir. 

  No próximo fim-de-semana vou ter a primeira experiência com uma das empresas pelas quais eu dava um rim para trabalhar. Não, não estou a ser irónica, quero mesmo muito este estágio. Quero-o tanto que me vou deslocar do Algarve até Braga sozinha, com as despesas todas por minha conta, só para não perder esta experiência. Enquanto me tento mentalizar que há 50% de hipóteses de correr mal, dou por mim numa bolha de felicidade e entusiasmo que há muito não sentia. Esperar para ver. Esta ansiedade dá cabo de mim.